domingo, 11 de novembro de 2012

Polícia Federal diz que 3 mil índios ameaçam invadir cidade no Norte

Revolta seria uma reação ao conflito entre policiais federais e indígenas, durante operação
MidiaNews
Polícia Federal diz que 3 mil índios ameaçam invadir cidade no Norte
 O superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso, César Augusto Martinez, informou que cerca de 3 mil índios ameaçaram invadir a cidade de Alta Floresta (803 km ao Norte de Cuiabá). 

A invasão seria em resposta ao confronto ocorrido na quarta-feira (6), entre índios e policiais federais, durante a Operação Eldorado. 
 
 
O incidente ocorreu no rio Teles Pires, próximo à divisa com o Pará, durante o cumprimento dos mandados judiciais na área da Terra Indígena Kayabi, onde 16 balsas que eram usadas para extração ilegal de ouro seriam destruídas. 
 
 
O superintende disse que, até o momento, não foi confirmada a invasão, mas, pelo menos, 90 agentes, estão no local para controlar o conflito, caso ele ocorra. 
 
 
“Não temos nada confirmado, mas não podemos ignorar ameaças. O acesso da aldeia até a cidade é muito difícil, tudo tem que ser feito por embarcações. A PF está em alerta, com homens da Força Nacional e policiais Civil e Militar”, disse Martinez, durante entrevista coletiva, na noite de sexta-feira (9). 
 
 
Martinez também disse que o conflito de quarta-feira não era esperado pelos agentes, que foram surpreendidos por cerca de 200 índios armados com arcos e flechas, e também armas de fogo.
 
 
“Nossa equipe, no dia anterior, havia conversado por mais de quatro horas com os índios, juntamente com a Funai. A resistência dessa forma não era esperada. Os índios estavam se preparando para a guerra”, disse. 
 
 
Interceptações telefônicas realizadas com autorização judicial, segundo Martinez, comprovam que havia intenção anterior do líder indígena em atacar os policiais.
 
 
Os policiais utilizaram bombas de gás para proteção pessoal e dos servidores do Ibama e Funai, que se encontravam com balsa.
 
 
A PF acredita que o conflito foi motivado por conta da extração ilegal de ouro feita com as 16 balsas. Cada balsa daria um lucro mensal de R$ 30 mil às tribos, de acordo com a PF. 
 
 
“É muito triste ver índios atuando no crime organizado. Essa reação deles mostra o medo de retornarem à situação critica que deviam viver antes das balsas serem instaladas no Rio Teles Pires. Cada balsa está avaliada em R$ 2,5 milhões. Por aí, pode-se perceber o valor milionário que o crime organizado investiu naquela região”, informou o delegado. 
 
 
Mesmo com o confronto o superintendente avaliou que a Operação Eldorado foi bem sucedida. 
 
 
A operação tinha mandados judiciais para a desarticulação de uma organização criminosa dedicada à extração ilegal de ouro e posterior comercialização no SFN (Sistema Financeiro Nacional). 
 
 
Conflito armado 
 
A Polícia Federal conformou que 13 índios da etnia mundurukú, da região do rio Teles Pires, foram autuados por resistência e desobediência, após o confronto com agentes. 
 
 
Até o momento, as informações são de que seis índios foram feridos a bala e dois policiais federais tiveram ferimentos causados por flechas. 
 
 
Uma das vítimas do embate ente PF e indígenas foi o índio Adenilson Crishi Munduruku, 30, o “Ussuru”. Ele foi morto com um tiro e deixou oito filhos. 
 
 
corpo de Ussuru foi encontrado por volta de meio-dia de quinta-feira (8), no leito do rio Teles Pires. Outros dois índios estão internados no Pronto-socorro de Cuiabá. 
 
 
Operação Eldorado 
 
A Operação Eldorado, deflagrada na terça-feira (6), em Mato Grosso, Pará, Rondônia, São Paulo, Rio Grande do Sul, Amazonas e Rio de Janeiro, teve o objetivo de desarticular uma rede de exploração de garimpos ilegais na região do rio Teles Pires. 
 
 
O esquema funcionava há cinco anos. Durante a primeira etapa da operação, foram cumpridos 17 dos 28 mandados de prisão temporária, 64 de busca e apreensão e oito de condução coercitiva expedidos pela Justiça Federal. 
 
 
No esquema, eram usadas notas frias de cooperativas de garimpeiros para legalizar a produção de garimpos, que funcionavam de forma ilegal. 
 
 
Conforme as investigações, boa parte dos garimpos ficava nas terras dos índios mundurukus e kayabis. 
 
 
O esquema também contava com a participação de índios, que, segundo a PF, facilitavam o acesso às áreas de extração. 
 
 
Uma das empresas investigadas, com sede em Cuiabá, movimentou cerca de R$ 150 milhões nos últimos dois anos. 
 
 
A companhia também operava na Bolsa de Valores, para comercializar o ouro como ativo de investimento financeiro. 
 
 
Na operação, agentes da PF apreenderam 23 quilos de ouro, avaliados em R$ 2 milhões, com o empresário Valdemir Melo, dono da empresa Parmetal, com sede em Cuiabá, e com o filho dele, Artur Melo. Os dois foram presos na manhã de terça-feira. 
 
 
Também foi preso na operação um oficial da Marinha do Brasil, lotado no Norte de Mato Grosso, que seria encarregado de legalizar o transporte do produto em embarcações, com o uso de notas fiscais falsas. 
 Fonte: Cenariomt

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